Escola de fim de semana

28/06/2009

No dia em que o Brasil conquista a Copa das Confederações pela terceira vez, posto aqui a visão de um momento pueril dos campinhos que podem transformar pequenos pernas de pau em célebres jogadores de futebol. O texto foi escrito após um exercício proposto pela Monica Martinez, durante o curso Redação Criativa, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

* * *

Somos o país do futebol e a maior torcida do estado é, como todos sabem, a do Corinthians. Por isso não me espantou ver três daqueles 12 ou 13 meninos com apetrechos do clube. Pouco mais de meio-dia e aqueles garotinhos, numa manhã ensolarada de sábado, dedicavam-se a esse esporte que é paixão nacional. Algo nada extraordinário, e é justamente daí que vem sua beleza.

“Pô, eu não te falei para marcar ele? Ele é esperto, tem que ficar em cima dele?”, diz um dos rapazinhos alvinegros para o amigo de camiseta vermelha, depois do gol sofrido. O pequeno corintiano, percebendo que talvez tenha pegado pesado, vira-se novamente para o colega, dessa vez com mais cordialidade. “Poxa, fica em cima dele, tá bom?”, insiste.

A outra criança limita-se a um singelo aceno com a cabeça. Havia pássaros cantando, mas ele não ouviu. Um cachorrinho yorkshire não parava de resmungar, mas o nosso jogador nem ligou. Ele falhara. O cara do time adversário passou por ele antes de concluir a jogada e ele não conseguiu detê-lo. É, ele falhara. Magoa-se com a bronca, mas logo parte agitado para o jogo, afinal, mais do que nunca, precisa mostrar que é bom de bola.

O ressentimento logo passa – como sempre acontece na infância – e o nanico, que durante toda a partida se agachou para amarrar as já gastas chuteiras, logo bate na mão do moleque que tinha acabado de repreendê-lo. A equipe ganha a partida e o garotinho atrapalhado, percebendo que estava sendo observado, se exibe. “É, ganhamos mais uma, ganhamos mais uma”! Ele já treina a postura de craque, mas os olhos, ah, esses são só de um menino.

* * *

Pena que eu estava sem minha câmera fotográfica. O dia estava realmente lindo e eu gostaria muito de ter registrado, não apenas na memória, a carinha do pequeno…