Tarrafa Literária – 1º Encontro Internacional de Escritores em Santos

04/09/2009

Vou bater cartão no Teatro Guarany, alguém duvida? rs

Parabéns à Realejo Livros & Edições pela excelente iniciativa! Santos merecia há tempos um evento desse porte.

progtarrafa


Nota Musical #1 – Caligrafia, Ludov (2009)

16/08/2009

Caligrafia_coverQuando a gente curte e acredita em uma coisa, tem que vestir a camisa. Acho que por isso minha camiseta do Ludov, que comprei pouco antes de ir a um show deles no Sesc Santos, está tão surrada. Descoberta alguns anos atrás meio sem querer, com uma ajudinha da enciclopédia musical ambulante conhecida como Roberto Feliciano, a banda é presença garantida no meu MP3 player. E nesse domingo meio sem graça, eis que um agradável cappuccino (o sorvete acabou) e o álbum Caligrafia fizeram a minha tarde na frente do notebook valer à pena.

O disco é independente e surpreende pela boa mistura de ritmos – até uma vertente MPB aparece junto às canções pop e rock já conhecidas dos fãs do grupo (que, aliás, não são poucos, apesar da banda ainda estar longe do mainstream). Habacuque Lima e o fofo Mauro Motoki são os responsáveis pelas ótimas letras do álbum, que grudam como chiclete e com as quais me identifico desde os CDs anteriores: Disco Paralelo (2007), O Exercício das Pequenas Coisas (2005) e o EP Dois a Rodar (2003).

A voz de Vanessa Krongold, acreditem, está ainda melhor. Exemplo disso é a deliciosa Magnética, onde o tom da vocalista encaixa tão bem na melodia suave que dá até vontade de, numa casinha no interior, no maior estilo dance when no one’s watching, ficar com os pezinhos balançando do lado de fora de uma rede numa tarde sossegada.

Luta livre e Vinte por cento, e ainda as belas e mais tranquilas Mecanismo, Paris Texas, O seu show é só pra mim e Não me poupe, são alguns destaques entre as 12 faixas. E tem mais sete bônus vindo por aí – a primeira, Teu perfume, já está disponível para download no site do quarteto.

O clipe da primeira música de trabalho já foi lançado e traz a banda e alguns amigos numa gostosa e despretensiosa dancinha ao som de Reprise.

Além de tudo, os caras são super simpáticos, como pode? Quero show da nova turnê em Santos, para detonar ainda mais a camiseta.


Desativa-se uma casa

10/07/2009
Foram 13 anos. O coração fica pequenininho e os olhos, úmidos. Para isso, basta lembrar que o lugar que tive como minha segunda casa por tanto tempo será desativado. Amanhã, o prédio localizado na Rua Euclides da Cunha, 264, deixará oficialmente de abrigar o Centro de Ciências da Comunicação e Artes (CCA), da Universidade Católica de Santos (Unisantos).
No Campus Pompeia, onde funcionava a antiga Faculdade de Comunicação de Santos (Facos) e também meu querido colégio Liceu Santista, um almoço de despedida marca o fim desse espaço acadêmico tão mágico para tanta gente. Mágico não apenas pelos tijolos feiosos, resistentes e tão característicos, nem pelo delicioso capuccino da cantina do Ricardo, que a Beth fazia como ninguém, ou pelos laboratórios de fotografia, de rádio, de TV e até o Codig e a redação. Mágico porque foi nesse prédio, que provavelmente virará poeira, que eu cresci, amadureci e me transformei em quem sou.

Lembro perfeitamente da primeira vez em que pisei lá: meus pais precisavam trocar eu e meu irmão de colégio, porque a mensalidade do anterior estava crescendo exorbitantemente, e passei por uma prova para atestar que eu tinha capacidade e conhecimento para ingressar na 2ª série. E confesso: eu, sempre péssima com números, contei com a ajudinha da minha mãe em uma ou duas questões de matemática. Sim, foi cola pura, mas a querida tia Deise, que aplicou o teste, não fazia a mínima ideia de que aquela dupla com carinhas tão puras seria capaz de tal transgressão.

Quando tudo começou

Quando tudo começou

Dali em diante, começou minha história de amor com esse lugar. Como mencionei logo de início, foram 13 anos – nove de Liceu Santista e quatro de faculdade. Sempre passei muito mais tempo lá do que na minha própria casa. Afinal, não eram só as aulas, havia também a educação física, os trabalhos em grupos, os cursos de teatro, dança e técnico em informática, o cursinho e, anos depois, novamente surgiram os trabalhos em grupo, o estágio na agência junior de jornalismo, o diretório acadêmico, o trabalho de conclusão de curso, a comissão de formatura…

Eu participava de tudo o que podia e, hoje, olhando para trás, acho que era uma forma de tentar alongar a permanência nesse espaço que até hoje me encanta e inunda de emoção. Emoção trazida pelas lembranças alegres e tristes, agitadas e ternas, distantes e eternas. Foram tantos aprendizados, encontros, desencontros, descobertas, brigas, farras, amizades e amores que imaginar aqueles corredores e o pátio vazios me parecem um pecado, como se estivessem privando outros jovens de sentir o espírito gostoso emanado por aquelas portas, janelas e carteiras.

Ninguém sabe exatamente o que vai acontecer, mas com o boom imobiliário que rola em Santos, creio que o campus será comprado por alguma construtora. E, quando passar em frente do novo condomínio e olhar para os novos moradores, sentirei como se tivesse sido desalojada para que aquelas pessoas invadissem aquela casa que era minha até pouco tempo atrás.

O coração aperta, as lágrimas brotam, e as lembranças, eternas enquanto duraram, ressurgem, nítidas, vivas e sempre belas. Essas palavras escritas às pressas são meu luto pelo fim de um lugar que será sempre meu.

Lá, no pátio

Lá, no pátio